Diário de Viagem Cervejeiro: Bruxelas

Bruxelas, ah Bélgica sua linda! Decidi aproveitar esse tempo de quarentena em casa para escrever sobre tempos passados onde a vida era mais leve e menos preocupante.  Nostalgias a parte, hoje vou contar um pouco de como foi a minha viagem à Bruxelas e dar dicas cervejeiras.

Saimos de Manchester, Inglaterra, se você não viu o diário de viagem cervejeiro do Reino Unido, clique aqui e fomos direto à Bruxelas. Sabendo que teríamos poucos dias lá, a primeira coisa que o Lamas Chico e eu decidimos fazer foi ir a Cantillon, afinal cervejeiro que vai à Bélgica e não visita a Cantillon, nem precisa falar que foi à Bélgica. hahaha

Chegamos bem cedinho em Bruxellas, pegamos o metro e fomos direto ao nosso hostel deixar as malas. E essa é uma dica legal, ficamos em um hostel chamado Van Gogh Youth Hostel, fica a menos de 100 metros da estação de metro do Jardim Botânico de Bruxellas, tem supermercado na esquina e o melhor, ele tem um bar com muita cerveja boa dentro da area comum do hostel. E claro que para quem gosta de história da arte, o local foi uma das residência do pintor Vincent Van Gogh.

Cervejaria Cantillon

Antes de programar a visita, verificamos o dia que a cervejaria Cantillon estaria aberta e como não estavamos em alta temporada não compramos o ingresso antecipadamente, mas sempre é bom verificar no site os dias e horários de funcionamento. Pegamos o metro e fomos nos aventurar pelas ruas e bairros de Bruxelas. Por incrível que parece, algumas partes de Bruxellas me lembrou muito o centro antigo da cidade de São Paulo, com ruas barulhentas, bastante sujeira, mendigos e por aí vai.

Chegamos à Cantillon e o Chico que já tinha visitado a cervejaria em 2008 não havia reconhecido o local, por fora ela está bem bonita.

Fachada do prédio da Cervejaria Cantillion
Cervejaria Cantillon

Ao entrar na cervejaria, você já se depara com o tasting room e a recepção onde você pode escolher o tour guiado (com agendamento prévio) e o tour sem guia (nesse caso você recebe uma explicação prévia de um colaborador da cervejaria e um guia impresso numerado com explicações de cada sala da cervejaria).

 

Bom vamos ao que interessa né? Como é visitar a Cantillon? É uma viagem ao tempo e é ver a a história da cerveja acontecendo ao vivo diante dos seus próprios olhos. Mesmo não curtindo muito cervejas sours, como eu, é uma experiência única e que vale a pena.
Como informado no início da visita, a maioria dos equipamentos utilizados na cervejaria datam do início de 1900, pelo que pudemos ver, a única seção mais moderna lá é a linha de envase, pois da tina de mostura até as barricas de madeira tudo é muito antigo.
Olhando as fotos, você pensa, onde fica a limpeza disso? Então todo esse meio-ambiente da cervejaria do jeito que ela é, é o responsável por ter a combinação ideal de bactérias e leveduras selvagens que são responsáveis pela fermentação espontânea que as cervejas da Cantillon passam. Se eles mudarem para um prédio novinho com equipamentos de última geração, você pode ter certeza que a cerveja não será mais a mesma.

Continuando a visita, o turista pode andar e conhecer todas as partes da cervejaria. Quando fomos a linha envase estava funcionando e pudemos ver de pertinho todo o envase e sem ninguém da cervejaria nos dizer que não poderíamos estar ali. Essa é a parte boa de visitar cervejaria que só faz Lambic, a cerveja já está azeda e contaminada com bactérias, então a preocupação de contaminação é inexistente. ;).

Terminados o tour, fomos ao tasting room que fica na entrada da cervejaria e lá pudemos provar 2 amostras de cervejas, que já vinham incluso com o valor do ingresso.

Gueze
Gueze e Rosé de Gambrinus

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Grand-Place e perdidos pelo centro

Terminado o passeio, voltamos ao hostel para deixar as garrafas de cervejas que compramos e assim passearmos a vontade pela cidade. E já adiantando, sim as garrafas sobreviveram a viagem e muitas pontes aéreas e estão guardadinhas em casa esperando maturar alguns aninhos.

Rose de Gambrinus, Gueuze, Kriek

Bruxelas tem muitos pontos turísticos e lugares lindos para se visitar e um deles é o Grand-Place, esse cantinho da cidade é o centro turístico/comercial de Bruxelas com vários cafés, restaurantes, lojas, museus e câmara municipal da cidade e é um lugar surreal de se ver. São inúmeras construções grudadas umas nas outras e com estilos diferentes conforme a época que foi construída. Para se chegar lá você andar por ruas estreitas cheias de turistas que de repente se abre nessa grande praça para uma visão espetacular de prédios, arquitetura e história. Dica importante: de preferência para ir em um dia ensolarado. Juro que fará toda a diferença. 

Aqui segue umas fotos, mas nenhuma faz jus à beleza que é ver isso ao vivo e a cores.

Ali perto da Grand-Place tem muitos pontos turísticos e nisso já aproveitamos e paramos para olhar a tão famosa estátua do menino fazendo xixi (Manneken pis). Engraçado que se você procura no google parece uma estátua enorme, mas na realidade ela tem apenas 61 cm.

Após vermos a estátua continuamos vagando pelas ruas de Bruxelas admirando a paisagem, os prédios maravilhosos e claro aproveitamos para comer um clássico da culinária belga. Batatas fritas!!

Batata frita com muitaaaa maionese

Nesse primeiro dia ainda visitamos alguns pontos turísticos como o Mont de Arts, é uma região planejada onde você pode encontrar vários museus, galerias de arte e no topo dele ver uma vista bem bonita da cidade.

Vista da praça Mont des arts

Caminhando mais um pouco e fomos parar no Palais de Bruxelles, eu não vou negar, essas histórias de reis e rainhas me encantam desde a época que lia as aventuras do rei artur e a távola redonda e fiquei morrendo de vontade de visitar o palácio da familia real belga, mas estava fechado para visitação. Como o palácio estava fechado continuamos nossa caminhada pelo Parc de Bruxelles, um parque bem bonito que fica bem na frente do palácio.

Delirium Café em Bruxelas

A noite ainda tivemos energia para voltar ao centro e ir beber cerveja e escolhemos o Delirium Café. E claro esse é outro lugar que se você foi a Bruxelas e não visitou… nem vou falar nada.
Ele é considerado o bar com o maior número de rótulos de cerveja do mundo. O bar possui diversos ambientes e cada andar é um bar com rótulos diferentes. O Delirium fica localizado numa viela onde hoje encontram-se diversos bares da marca, cada um voltado para um tipo de bebida., por isso hoje o local é chamado de Delirium Village.
Entramos no prédio principal e a divisão fica da seguinte forma, o Delirium Café propriamente dito  fica localizado no porão do prédio principal, nesse ambiemte as cervejas são servidas em garrafas. No andar térreo está localizado o Delirium Taphouse e no andar superior é o Delirium Hoppyhouse com um terraço externo e servindo cervejas mais lupuladas.

Ainda no Delirium Village tem o bar chamado Delirium Monasterium especializado em vodkas, o Floris Garden especializado em rums e cachaças, o Floris Tequila especializado em tequilas e o Floris Bar especializado em destilados com foco em absintos (+ de 600), gins (100 rótulos) e mais de 200 rótulos de whiskeys além de licores diversos e foi lá que fomos terminar a noite degustando absinto.

A maneira tradicional de beber absinto que o garçom nos ensinou era com um torrão de açúcar e água gelada. O torrão fica suspenso em uma faca em cima do copo de absinto e aí você vai colocando água em cima do torrão para ele derreter e você ajusta a quantidade de água ao seu gosto. Gostei bastante de provar a bebida dessa forma, pois o volume alcoólicofica diluiío e os aromas e sabores se destacam mais.

E para finalizar nossa visita à Delirium Village não podia faltar foto da Jeanneke Pis, a versão feminina da estátua do menininho fazendo xixi. A estátua fica bem no final da viela.

Sede da União Européia, Parque do Cinquentenário e

Acordamos cedinho, tomamos café da manhã no hostel e partimos para mais um dia para desbravar Bruxelas. Fomos direto ao bairro onde fica localizado a sede da União Européia. Um bairro com prédios mais modernos, pessoas engravatadas. Ficamos passeando pelos prédios e curtindo o ambiente.

Prédio Le Berlaymont  famoso pelo formato de cruz e Sede da União Européia

Depois avistamos de longe algo que parecia um parque e lá fomos nós caminhando para ver o que era. Ao chegar lá nos deparamos com o Parc du Cinquantenaire. Esse parque foi criado para comemorar os 500 anos da independência belga e nele encontra-se um belo arco do trinunfo que foi erguido em 1905. Olhando para o arco do triunfo, ele liga dois prédios muito grandes. A direita o museu de história da arte e o museu do carro (Autoworld), pois bem depois de uma “‘googleda” decidimos visitar o museu do automóvel, porém ele estava fechado devido ao horário. Então fomos ao prédio ao lado esquerdo do arco do triunfo e lá nos deparamos com o Museu da Guerra. Pelo que vimos é o maior museu com artefatos bélicos do mundo. Esse museu é muito grande e para quem gosta de história, é um prato cheio.

O museu tinha 2 tipos de ingresso e o mais caro dava acesso à uma ala especial, mas quando compramos não havíamos entendido muito bem o que seria essa ala especial. Para nossa surpresa, fomos parar em cima do arco do triunfo e tivemos a oportunidade de ver uma vista linda da cidade.

De cima do topo do Arco do triunfo conseguimos avistar vários pontos turísticos de Bruxelas e decidimos visitar a  Basilique du Sacré-Coeur localizada no Parc Elisabeth. A basílica é enorme e de lá pudemos subir em sua cúpula e ver mais uma vez Bruxelas pelo alto e ver outros pontos turísticos como o Atomium.

De lá voltamos para centro e ficamos vagando pela cidade até encontrarmos uma praça com uma vista linda da cidade, um prédio maravilhoso do Palácio da Justiça (Palais de Justice) e uma roda gigante linda.

De lá fomos para a Grand-place procurar algum restaurante para jantar, foi indicado por um amigo um restaurante chamado Cul Sec mas não conseguimos lugar, então paramos em um restaurante que nos parecia razoável mas não foi. Encontramos até um ratinho passeando por entre as mesas.

Depois da experiência não tão boa tentamos ir ao bar Moeder Lambic mas não estava aberto e como era nossa última noite em Bruxelas, não poderíamos não tomar mais uma cerveja lá né? Então voltamos para o Delirium Café para fechar a noite.

No dia seguinte pegamos nosso trem cedinho para Amsterdã e essa viagem fica para outro post. 😉

Aqui se encerra esse diário cervejeiro. Se você já foi à Bruxelas, deixe suas dicas nos comentários.

 

 

Fernanda Puccinelli Autor

Grande apreciadora de cervejas, teve o primeiro contato com cerveja artesanal sendo cobaia das primeiras cervejas feitas pelos Lamas. ;) Depois de uma temporada nos EUA resolveu unir o útil ao agradável e se aprofundar no mundo das cervejas artesanais. Gosta de viajar, cachorros e claro beber e falar sobre cerveja.

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