Saiba como a Cerveja se desenvolveu ao longo dos anos!

Você sabia que dia 3 de agosto é comemorado o dia internacional da cerveja? E que a cada ano esse dia muda, pois ele é comemorado sempre na 1ª sexta-feira do mês de agosto?

Pois é, e para comemorar este dia, o post de hoje vai contar um pouquinho da história da cerveja.

Cerveja na Antiguidade

10.000 a.C

Estima-se que o processo de fermentação tenha surgido a cerca de 10 mil anos atrás,  sendo descoberto por acaso pelas mulheres. Nessa época, as civilizações já obtinham em pequenas quantidades, as primeiras bebidas alcoólicas. Especula-se que a cerveja, assim como o vinho, tenha sido descoberta acidentalmente, provavelmente fruto da fermentação espontânea de algum cereal. Afirma-se que a descoberta da cerveja se deu pouco tempo depois do surgimento do pão. Os sumérios e outros povos teriam percebido que a massa do pão, quando molhada, fermentava de modo diferente, ficando ainda melhor. Assim teria aparecido uma espécie primitiva de cerveja, como “pão líquido”. Várias vezes repetido e até melhorado, este processo deu origem a um gênero de cerveja que os sumérios consideravam uma “bebida divina”, a qual era, por vezes, oferecida aos seus deuses.

7.000 a.C

Sudão – povos locais produziam uma bebida a partir de sorgo que seria semelhante à nossa cerveja.

Suméria – inscrições feitas numa pedra, relativas a um cereal que se utilizava em algo similar à produção de cerveja.

4.000 a.C

Suméria – desta civilização foi encontrada uma placa de barro (um selo), recolhida em Tepe Gawra e datada de cerca de 4000 a.C., onde se vêm duas figuras que bebem possivelmente cerveja de um pote, utilizando para isso longas palhas, tradicionalmente usadas para aspirar a bebida e evitar a ingestão dos resíduos de cereal

2300 a.C

China – a China desde cedo desenvolveu técnicas de preparação de bebidas do tipo da cerveja, obtidas a partir de grãos de cereais. A “Samshu”, fabricada a partir dos grãos de arroz e a “Kin” já eram produzidas cerca de 2300 a.C. As técnicas utilizadas eram algo diferentes das dos povos mesopotâmicos e egípcio.

1900 – 1800 a.C

Suméria – Hino a Ninkasi, a deusa da cerveja dos Sumérios, e que é na realidade, uma receita de cerveja.  Por curiosidade, Ninkasi significa algo como “senhora que enche a boca”.

Na antiguidade, a produção de cerveja era uma atividade caseira, a cargo das mulheres, que também estavam incumbidas de fazer o pão. Para produzirem a cerveja, deixavam a cevada de molho até germinar e, então, era moída grosseiramente e moldada em bolos. Estes, após parcialmente assados e desfeitos, eram colocados em jarras com água e deixados para fermentar.  Esta cerveja rústica ainda é fabricada no Egito com o nome de bouza. Ervas aromáticas, tais como zimbro, hortelã e absinto, podiam ser adicionados à cerveja para corrigir as diferenças observadas no sabor.

1730 a.C

Babilônia – No período babilônico contavam-se cerca de duas dezenas de diferentes tipos de cerveja, com base em combinações diversas de plantas aromáticas e no maior ou menor emprego de mel, cevada ou trigo.  O Código de Hammurabi, o sexto rei da Babilônia, incluía várias regras relacionadas à cerveja. Entre essas Leis encontrava-se uma que estabelecia uma ração diária de cerveja, ração essa que dependia da classe social de cada indivíduo.  Por exemplo, um trabalhador normal recebia 2 litros por dia, um funcionário público 3 litros, enquanto os administradores e sacerdotes recebiam 5 litros por dia.  Outra lei tinha como objetivo proteger os consumidores da cerveja da má qualidade. Ficou assim definido que o castigo aplicado por servir cerveja ruim, seria a morte por afogamento.

1600 a.C

Egito – os egípcios produziam cerveja desde tempos ancestrais, sendo que ela fazia parte da dieta diária de nobres e fellahs (camponeses). Além de alimentar, a cerveja servia também como remédio para certas doenças.  Um documento médico, datado de 1600 a.C. e descoberto nas escavações de um túmulo, descrevia cerca de 700 prescrições médicas, das quais 100 continham a palavra cerveja.  A sua importância é também visível nos aspectos religiosos da cultura egípcia.  Nos túmulos dos seus antepassados, além dos artefatos habituais como incenso, jóias e comida, era também habitual encontrar cerveja. E em casos de calamidade ou desastre natural, era frequente a oferta de grandes quantidades de cerveja aos sacerdotes de forma a apaziguar a ira dos deuses.

450 a.C

Durante o período grego e romano, a cerveja era considerada menos importante que o vinho, porém ela evoluiu com essas civilizações. Nos escritos de Sófocles (450 a.C.) havia recomendações sobre o consumo de cerveja, incluindo a mesma numa dieta que considerava equilibrada. Outros autores gregos como Heródoto e Xenofontes também mencionaram o ato de beber cerveja nos seus escritos. Assim como o tinham aprendido com os egípcios, os gregos ensinaram a arte de produzir cerveja aos romanos.

A cerveja passou então a ser a bebida das classes menos favorecidas, muito apreciada em regiões sob domínio romano, principalmente pelos germanos e gauleses.  Muitos romanos consideravam a bebida desprezível e típica de povos bárbaros.  Foi nessa época que as palavras cervisia ou cerevisia passaram a ser utilizadas pelos romanos, em homenagem a Ceres, deusa da agricultura e da fertilidade.

Cerveja na Idade Média

Séc. VI

A produção e consumo de cerveja tiveram um grande impulso devido a influência dos mosteiros, locais onde este produto era, não só tecnicamente melhorado, como também produzido e vendido. Além dos mosteiros, ela era produzida em casa pelas mulheres.

Séc. IX

Difusão do uso de lúpulo na produção de cervejas

1040

Alemanha – O Mosteiro de Weihenstephan, na Alemanha consegue licença para produzir cerveja comercialmente, tornando-se a cervejaria mais antiga do mundo ainda em funcionamento.

1200

A atividade cervejeira se estabelece comercialmente nas regiões das atuais Alemanha, Áustria e Inglaterra

1268

França – Surge em Paris os primeiros estatutos para regular a profissão de cervejeiro.

1288

Alemanha – Instalada a primeira cervejaria em Frankfurt, na Alemanha.

Inglaterra – O Lúpulo é usado pela primeira vez na Inglaterra.

Cerveja na Idade Moderna

1487

Alemanha – Primeira regulamentação sobre a fabricação de cerveja na Baviera, decretada pelo duque Albrecht IV.

Séc. XIV

Peste invade a Europa, com isso, tornava-se mais seguro beber cerveja do que água. Devido  ao processo de fabricação eliminar muitas das impurezas presentes na água.

Séc. XV

Lúpulo é reconhecido como conservante e aromatizante, sendo utilizado pela maioria dos cervejeiros.

1500

Brasil – Descobrimento do Brasil.

1516

Alemanha – Promulgada a Lei de Pureza na Baviera (Reinheitsgebot), padronizando o processo de fabricação e permitindo somente água, cevada e lúpulo, pois naquela época ainda era desconhecido a total participação da levedura no processo de fermentação.

Séc. XVII

Brasil – Maurício de Nassau chega ao Brasil, mais precisamente em Recife-PE, com uma expedição holandesa a serviço da Companhia das Indias Orientais, eles montam a primeira cervejaria no Brasil.

1642

Inglaterra – Coque começa ser usado na industria, consequentemente nas maltarias para secar o malte, revolucionando o processo de malteação. Esse  novo procedimento permitiu que os maltes fossem secados sem serem torrados.

1654

Brasil – Holandeses são expulsos do Brasil pela Coroa Portuguesa, com isso eles levam todos os equipamentos e receitas da cervejaria com a expedição holandesa, isso ocasionou um esquecimento da bebida por quase 150 anos.

1759

Irlanda – Arthur Guinness abre sua cervejaria em Dublin.

 

1765

Primeiros sinais de industrialização no processo de fabricação.

Cerveja na Idade Contemporânea

séc. XIX

Gabriel Sedlmayr, desenvolveu método de secagem via aquecimento indireto dos grãos, tendo o total controle do processo de malteação.

1808

Brasil – A família real portuguesa muda-se para o Brasil. Com a vinda da coroa portuguesa para o Brasil, os portos são abertos. Dessa forma, as cervejas inglesas invadem o mercado brasileiro.

1810

Alemanha – A Oktoberfest torna-se uma festa oficial de Munique.

1830

InglaterraBeer Act of 1830. Devido a crescente taxa de alcoolismo devido ao consumo exagerado de Gin, o governo inglês tentou incentivar a produção e venda de cerveja, numa tentativa de diminuir a produção e consumo de gin. Essa lei mudava a competência para produção de cerveja, pagando apenas 2 guinéus por ano, o estabelecimento podia fabricar e vender cerveja. Com isso, surgiu o Public house ou pub e em apenas 8 anos, a Inglaterra e País de Gales tinha 46 mil pubs.

1830 – 1850

Brasil – Pequena produção de cerveja no Brasil feita por imigrantes ingleses e alemães. Não há referência dos estilos feitos, mas sabe-se que era utilizado outros cereais para a produção como arroz, milho e trigo, já que era difícil conseguir cevada.

Neste período surgiram diversas pequenas cervejarias no Brasil, como podemos citar, Cervejaria Brasileira – RJ (1836), Henrique Schoenbourg – SP (1840), Henrique Leiden – RJ (1848), Vogelin & Bager – RJ (1848), entre outras.

1842

Josef Groll produz uma cerveja clara e carbonatada, batizada anos depois com o nome da cidade de Pilsen, na Boêmia.

1853

Brasil – O alemão Henrique Kremer funda a Bohemia, considerada a primeira cervejaria imperial do Brasil. Hoje a marca faz parte do grupo InBev.

Escócia – por meio do Forbes Mackenzie Act, as comunidades religiosas conseguiram a proibição da abertura dos pubs aos domingos.

1859

Gay Lussac descobre o processo de fermentação e Louis Pasteur, da pasteurização.

1874

EUA – Fundação da União da Temperança nos EUA (Woman´s Christian Temperance Union – WCTU), organização cristã que deu início ao movimento antialcoólico americano.

1878

Irlanda – por meio do Forbes Mackenzie Act, as comunidades religiosas conseguiram a proibição da abertura dos pubs aos domingos.

1881

País de Gales – por meio do Forbes Mackenzie Act, as comunidades religiosas conseguiram a proibição da abertura dos pubs aos domingos.

1888

Brasil – surgimento das duas maiores cervejarias do Brasil, no Rio surge a Cia Cervejaria Brahma e em São Paulo a Cia. Antactica Paulista.

1893

EUA – Estabelecida a Liga antisaloon nos EUA. Essa liga levava grupos de mulheres às portas dos bares para se manifestar e pedir o seu fechamento. A WCTU chegou a contar com 5 milhões de membros e mostrou-se forte o suficiente para conseguir a proibição da produção e venda de bebidas alcoólicas dentro dos EUA.

1899

Brasil – Caracu, a cerveja preta, foi lançada em 1899 na cidade paulista de Rio Claro.

1903

Escócia – o Licensing Act estabeleceu severas punições à embriaguez.

1917

EUA – 23 estados americanos aderiram ao movimento antialcoólico e promovendo a tolerância zero e da abstinência total.

1918

EUA – aprovada a emenda que proibiu totalmente o consumo de bebida alcoólica em território americano. A “Lei Seca” passa vigorar em toda o país, causando grande impacto na indústria de bebidas.

1919

Alemanha – Lei da pureza se estende para todo território alemão.

1933

EUA – Em 7 de abril, o então presidente Franklin Roosevelt aprova uma emenda que previa a permissão para o consumo de bebidas com até 4% ABV. Em dezembro do mesmo ano, a Lei Seca termina nos EUA.

 

Anchor Brewing é uma das primeiras cervejarias a retornar a produção de cerveja e resistir aos tempos difíceis que seguiram após o fim da lei seca. É uma das cervejarias artesanais mais tradicionais dos EUA.

1935

EUA – Lançada a primeira cerveja envasada em lata, pela cervejaria Krueger.

1966

Brasil – Surge a  Cerpa no Pará

1967

Brasil – A Skol Pilsen foi lançada em 1959 na Europa e chegou ao Brasil em 1967, sob licença, após alcançar grandes resultados no velho continente. Inicialmente foi a Cervejaria Rio Claro, fabricante da Caracu, que lançou o produto no Brasil, e na seqüência a Brahma adquiriu a marca para uso exclusivamente no país Sua história é marcada por inovações que revolucionaram o setor, como a introdução das latinhas no mercado brasileiro.

1971

Brasil – Skol revoluciona o mercado e introduz as primeiras cervejas em latas feitas com folhas de flandres.

1972

Inglaterra – preocupados com a massificação da cerveja, alguns cervejeiros ingleses criaram um movimento par asalvar a verdadeira cerveja Ale, formando o movimento CAMRA (Campaign for Real Ale). como consequência desse movimento, milhares d emicro e pequenas fábricas surgiram.

 

1979

EUA – Revogada a proibição da produção caseira de cerveja.

1980

Brasil – surge a Kaiser em Minas Gerais.

1989

Brasil – Skol introduz as latinhas de alumínio para envase.

Schincariol passa a produzir no interior de SP.

1995

Brasil – Surge a Dado Bier no Rio Grande do Sul.

1996

Brasil – Surge a Calorado em Ribeirão Preto.

1999

Brasil – Fusão da Brahma com Antactica, surgindo a Ambev – Companhia de Bebidas das Américas

2000 – atualmente

Brasil – A partir dos anos 2000, começa a surgir algumas cervejarias artesanais e o movimento de cerveja caseira começa a ter um leve movimento, se intensificando a partir de 2010.

2001

Brasil – Surge a Cevada Pura em Piracicaba

2003

Reino Unido – surge uma campanha para redesenhar a imagem da cerveja, com finalidade de incentivar os consumidores optar por ela para celebrar diversas ocasiões. Essa iniciativa ficou conhecida como Beautiful Beer.

2004

Brasil – fusão da Ambev com  com a gigante belga Interbrew, formando a Inbev. Tornou-se a maior produtora de cerveja do mundo.

Inauguração da Falke Cervejaria em Minas Gerais.

2005

Brasil – Inauguração da Cervejaria Bamberg, uma das micro cervejarias brasileira mais premiadas internacionalmente.

2008

Brasil – Uma turma de físicos da Unicamp resolve fazer cerveja pela primeira vez e criam um blog para contar suas aventuras cervejeiras. E o nome? Lamas Bier.

EUA – Criação do Dia Internacional da Cerveja. Este dia tão querido para nós é celebrado toda primeira sexta-feira do mês de Agosto. E tem até um site dedicado a data.

2011

Brasil – em busca de oferecer mais opções para o mercado de cerveja caseira, a confraria peseudo-secreta da Lamas, inaugura a Lamas Brew Shop.

2014

Brasil – Surge o Festival Slow Brew Brasil em Ribeirão Preto.  Um festival com características diferenciadas dos modelos tradicionais, propiciando às pessoas a oportunidade de experimentar os rótulos desejados com tranquilidade e sem se restringirem entre escolher um ou outro rótulo.

2016

EUA – Em menos de 40 anos, o mercado artesanal de cerveja cresceu de menos de 100 cervejarias em 1978 para mais de 5.000 em 2016 e como nação, os Estados Unidos hoje possuem mais estilos de cervejas e marcas do que qualquer outro país no mundo.

2017

Brasil – Segundo a ABRACERVA, o MAPA divulgou relatório anual e o número de cervejarias artesanais legalizadas teve um aumento de 37% de 2016 para 2017, chegando no final do ano de 2017 a 679 cervejarias artesanais!

2018

Brasil – Inauguração da Cervejaria Cogumelo, com uma proposta inédita de incubar novas micro cervejarias e também ser um centro de novas ideias para promover o desenvolvimento científico e tecnológico do planeta cerveja. É uma cervejaria e laboratório de pesquisas científicas e tecnológicas, desde do básico desenvolvimento de receitas até a criação de novos equipamentos e processos. Tudo focado para a evolução do mercado cervejeiro latino-americano.

 

E aí quais serão as próximas evoluções do nosso preciso líquido sagrado?!

Cheers!!

 

Fernanda Puccinelli Autor

Grande apreciadora de cervejas, teve o primeiro contato com cerveja artesanal sendo cobaia das primeiras cervejas feitas pelos Lamas. ;) Depois de uma temporada nos EUA resolveu unir o útil ao agradável e se aprofundar no mundo das cervejas artesanais. Gosta de viajar, cachorros e claro beber e falar sobre cerveja.

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